Marcelo Almeida, 48 anos, fotojornalista.
Trabalha atualmente para algumas revistas da Editora Abril . Exame, 4 Rodas, Nova Escola, etc.
Trabalha para alguns Artístas plásticos, fotografando suas obras .
Leciona na FAP e na Portfolio Escola de Fotografia, onde é coordenador.
Trabalhou em jornais diários como: Jornal do Estado, Folha de Londrina e Gazeta Mercantile.
Qual sua formação?
"Graduado em Educação Artística, com habilitação em Artes Plásticas, pela Faculdade de Artes do Paraná. Especialização em Ciências Sociais- Antropologia Visual pela Universidade Cândido Mendes – UCAM, Rio de Janeiro."
Em que área da fotografia você mais atua? E mais especificamente, porquê?
"No fotojornalismo, porque, além da paixão, é uma área em que trabalho com pessoas, é dinâmica e não tem rotina. Sinto-me livre."
O que você tenta transmitir ao mundo através das suas fotos?
"Na área do fotojornalismo eu tento informar ao máximo, me apropriar da cena da melhor forma possível, para que ela cumpra com a função da comunicação. Na fotografia autoral não é muito diferente o olhar, mas eu registro as coisas que tenho vontade, imediata, de dividir o olhar. Quero que alguém veja a foto a que fiz."
Por que fotografia?
"Paixão. Por que não??? Rs..."
O que a fotografia proporciona que mais te agrada?
"Liberdade. “Sou eu comigo mesmo”."
Em relação ao mercado de trabalho, quais são as maiores dificuldades que um fotógrafo tem que superar para conquistar seu espaço hoje em dia?
"A maior dificuldade está em fazer um bom trabalho. Fazer algo bom e diferente a cada dia. Sem falar em equipamento, orçamentos, contatos, etc."
O que é essencial para que uma foto possa transmitir tudo aquilo que quem a produz sente, pensa, …, tem como intenção?
"Não há uma regra para isso. Depende de muitas coisas, como exemplo, as questões culturais, informação, formação, etc. Quem faz a foto, por vezes, não tem intenção nenhuma, e por outra , ás vezes tem, de transmitir algo, mas o leitor consegue fazer uma leitura que está embasada em algo de suas referências e passa a ler “uma intenção” naquela foto e que pode não ser a intenção de quem a registrou."
O que faz com que uma foto seja “boa”?
"Uma foto para ser boa precisa carregar em si informação suficiente para “tocar alguém”, mexer com os sentimentos dela."
Você acredita que a fotografia mudou, de alguma forma, seu jeito de ver as coisas, de perceber detalhes, olhares, lugares,de ver o mundo, de senti-lo?
"100%!!!! E cada vez mais..."
O que faz de uma cena ser fascinante, interessante, surpreendente talvez, boa o suficiente para se transformar em uma foto?
"Depende de alguns fatores, como por exemplo, a função da fotografia. Se eu fotografar para um veículo de comunicação é uma coisa, se eu fotografar para uma campanha publicitária, será outra. Se for documental, será de outra forma, mas de forma geral, a fotografia nasce de uma combinação de elementos organizados de uma maneira que desperta o interesse das pessoas, seja ele comercial ou artístico(não que a fotografia comercial não seja artística e que a artística não possa ser comercial). O interesse está para os elementos compositivos, como: luz e sombra, textura, linhas, cores, etc. E são eles que formarão a imagem que o fotógrafo recortou no tempo e no espaço para cumprir, ou não, uma função."
Qual sua trajetória até aqui? E daqui para frente, quais suas metas?
"Minha trajetória se escreve em trinta anos fotografando. Sobrevivendo dela, seja clicando ou ensinando. Amo o que faço! Não sei qual será a estrada que virá, mas pretendo chegar à velhice fotografando."
Que tipo de fotografia mais te agrada? Existem alguns fotógrafos cujo trabalho você mais aprecie?
"Adoro fotografia de rua. Tenho alguns mestres como referência. Cartier-Bresson, Alvarez Bravo, Paul Strand, Doisneau, etc... São muitos.. "
Além da fotografia, você trabalha em mais alguma área? Se sim, de que forma você poderia atrelar tais áreas?
"Sou professor também. Professor de fotografia. Que maravilha, não? Sinto-me privilegiado por ter duas profissões que amo. Sou muito feliz por isso. Como diz um amigo professor e fotógrafo: “Eu não trabalho, só dou aula e fotografo”. Rsrs...."
Para os fascinados, apaixonados pela arte de fotografar…há algo que você gostaria de dizer?
"Fotografem até viver!!!"
Obrigada Marcelo, pela disponibilidade, paciência, empenho e pela grande ajuda ! Foi uma honra entrevistá-lo.